Muita areia para a minha autocaravana

Cinco. Como os dedos da mão. Embalados por uma música que não toca nesta latitude. Polegar, mindinho, indicador. Anelar e o do meio, o maior, não-nomeado. Ficam melhor numa mão aberta, a deixar antever paisagens. Temperados com açafrão.
Fechados não se vêem uns aos outros, a união é cega, um jogo eterno a tentar adivinhar quem tem um chapéu preto. Posso afastá-los, mas não muito. Não nada.
Hoje quero acreditar em cinco dedos vividos lado a lado. O que é que uma mão destas não consegue agarrar?
A areia do tempo escorre entre os dedos.

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